quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

... Nem um segundo...




Quanto tempo imaginara;
sentir...
Olhar cada luar,
sequer precisar de razão;
e sorrir...





Ter a razão de qualquer motivo
Ser a razão de um mero sorriso
Ter mais que nada que faça ver
Ser tudo o mais que o amanhecer

Querer olhar... Só velar o sono
Ser o abrigo em qualquer outono
Ter o colo quente que à noite espera
Ser mais que o perfume da primavera

Em qualquer lugar estar junto
Ter o maior que há no mundo
Inflamar o inverno, fazer o verão
Ser mais atual que qualquer estação

Ser o teu caderno e a minha memória
Ter nome em canto de nossa história
Fazer todos os segundos valerem a pena
Ser o verso da prosa, rimar o poema.

À ti.
Nem sei, ou sei que o que virá
Por cada noite que adormecer,
a cada manhã que acordar,
mais e mais aumenta em mim.

De um reino tão, tão distante.











Fora mais.
Um mero deságue em sonhar;
Não ter mais uma hora de espaço para tentar.

Em terras de fogo e magia, com lanças e armaduras,
busca incessante de novas e intermináveis aventuras.
Entre dragões e feras.
Gigantes, ogros e quimeras.

Fazia sempre restos de coloração brilhar.
Brancuras...
Na mente que ao tempo vagueia, sem rumo
cavalgando, sem rumo ao obscuro.
Montanhas férteis de imaginação olhar.
sempre espaço há para o melhor lugar

O Amanhecer é sempre lindo,
E mais encanta toda gente...
Mas acordar de um sonho bom?
- Queria que a noite durasse pra sempre

domingo, 27 de dezembro de 2009

Despedida















Sim, um dia vou voltar;
Encontrarei o mar;
E todas as estrelas;
na volta ao meu lugar.

Como estou deixando,
Sei que não vão estar.
Feito o dia da partida;
O que para trás ficar.

Pra bem longe partirei.
E saudades levarei;
que ja sei, serão tão grandes
quanto as que aqui deixarei.

Do amor que já nem sei;
das loucuras que falei;
de tantas aventuras;
das canções que eu cantei.

Deixarei meu violão,
companheiro de emoção,
que ficou desafinado
feito tal meu coração.

Assim faço a despedida;
sem delongas nem demora;
pois esqueço até da rima,
deixo um beijo
e vou-me embora.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Lentamente











Persigo minhas sombras
andarilha de desejos
de vestígios e restos
ansiosa por beijos

Em becos, em bares
navegando sem fim
imaginando seu rosto
seus lábios em mim

Delirante..

Imaginando, sonhando
Por toda, ou sem razão
envoltos em laços
deixar-te este coração

Emoldurado sorriso
uma noite sem fim
do rosto mais lindo
deixou-me assim

Fora como levitar
e ser tão contente
querer ser feliz
daqui para sempre

Então, como seguir?
Calar as emoções?
Pois dizer-te adeus
é partir dois corações.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Ventos bons







Que tragam esperança
de ver-te;
como um rio ve o mar.
de tocar-te;
sem palavras, abraçar.



Aos caminhos
que mesmo tortuosos
e mais longos, dolorosos
me permitam encontrar.

Aos moinhos
que ao mais leve soprar
já começam seu girar
e se deixam encontrar

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Delírio real












Vou sair. Deixar o ar mudar,
quem quiser passar,
talvez, ainda encontre o luar.
Luar de gente só.
Lugar de amor maior
de quem almeja o sol.
Viagem desconexa
Talvez a noite impeça
De ir-me e não voltar.
Quem sabe então assim
Meu sol brilhe enfim
Faça do “não” o “sim”
E traga-a pra mim.

A teia mais fogosa
da bela mais formosa
tão forte e mais dengosa,
do abraço tão sem fim.
Arte insana.
De doces delírios
unindo dois rios
ao mar de amor em mim.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Sonhando em tua boca












Nem me passou a idéia de ser
ou pensei que pudesse saber
o tão bom que seria te amar

Megulhar em seus cachos
bom sentir seus abraços
e rolar até amanhecer

Ser tão leve assim
mais perfeita pra mim
meu doce toque de lábios

A magia que faz respirar
jamais me iria acordar
do sonho que não terá fim

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Levemente












Deixo levar em meus devaneios
aos montes, aos seios
tento nem abarcar
sentidos em pleno ar.
Abrupta sensação que devora
corrompe-me a alma agora
sorrateiramente
atonta-me levemente...

Perdido em teu colo fico
sonhando tão acordado
rompendo a noite afora
sentindo o calor da mente
divagando tão pesado
acalma-me levemente...

Em cores que não espero
nem seria primavera
trazendo alegria intensa
e uma saudade imensa
inflama-me levemente...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sete















Sobre o que pudera dizer o tempo, em que fora vivido,
Mais flores, mais sorrisos...
Sobretudo é o canto que encanta a cidade
Mais vozes ouvem-na e fazem coro
Enaltecendo a beleza evidente da felicidade
Esta que sim, estampa meu semblante
Aberto sorriso, alegria constante...
Visto ao que é novo, de longa idade
Como as maravilhas de mesma contagem
Ainda mais belo. Mais doce e viril
Jamais nesse mundo se viu ou ouviu
Tão belo... tão puro...
Mais forte a cada lua que passa
Floresce o caminho em tão bela graça
Sem explicação. Maduro e jovial
Seguro de si, mas em dose ideal
O mais tenro presente
E tão encantador
Pedra tão preciosa
É o nosso Amor

domingo, 29 de novembro de 2009

Diário de uma saudade










Quantas noites...
Sem sono, sem cor
Sem saber do amor
Que tão doce viria
E se alojaria
Neste peito folgado
E tão desajeitado
Que não sabe falar
E prefere calar
Meio rude e sutil
Até pouco senil

Mas agora...
Que prefere servir
Até gosta de ouvir
Que sabe o que quer
Do sabor da mulher
Aportar em tua boca
Em uma fúria louca
Abrigar-te nos braços
Entre pernas e laços
E deixar pelo ar
O perfume de amar

Sem sentir...
Fez-se cego e calou
Quando se aproximou
De canção a canção
Trilha da emoção
Como uma flor abriu
Nem sequer resistiu
Quando a viu chegar
De assalto tomar
Fazer amor da paixão
Levar meu coração.

sábado, 28 de novembro de 2009

Tempo















Vou ver o tempo
Deixá-lo passar
Contar as estrelas,
As ondas do mar

Vou deixar o tempo
Aonde quiser
Vou enamorar-me
Por toda mulher

Vou vagar no tempo
Sem sobra de nada
Não quero dinheiro,
Nem carro ou casa.

Vou perder meu tempo
Seja como for
Sem plantar sementes
Ou colher a flor

Vou viver sem tempo
Sem mais ou por que
Qualquer semelhança
Por mero prazer

Vou ficar sem tempo
Sem poder voltar
Ao fim só me resta
Ver a morte chegar.

Pode ser...












Quem sabe?

Que o rancor e a desesperança...
Enterneceu

Que a lágrima de uma criança...
Escorreu

Que a lembrança tão forte...
Esqueceu

Que a noite tão fria de inverno...
Aqueceu

Que um dia de sol tão intenso...
Escureceu

Que o amor cheio de esperança...
Nasceu

Que um dia o que ninguém esperava...
Aconteceu.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Explosão

"Ao ser o que sempre sonhara,
trazer-me de volta ao mundo,
fazer-me de vez implodir.
Ser bem mais,
de uma explosão trazer a paz
ao fazer o amor eclodir."








Ao maremoto, de incontidas sensações
Intrépido e insólito esconderijo
Impelido ao vigor de flamejantes vulcões

De alma doce, e sorridente
Amigável desvalido
Inflamado e envolvente

Aos dias que a alma lhe chama
Emoldurável estampido
Inesgotável ao abraço que inflama

Pernoite perdura, inóspita candura
Festejo d’alma ao regozijo
Que esta noite renovaste em ternura

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Sexto crescente

Fervilhando a mente
Ao que me satisfaz
Pois daqui pra frente
Insistentemente
Quero-te muito mais
Meu maior presente
Faz-me mais contente







Sempre crescente
E hoje ainda mais
Mais feliz;
Mais vivo;
Muito mais sorridente.
Quero as noites de frio;
Aquecer-te ao meu calor;
Nunca mais ser vazio;
Ser o seu cobertor;
Quero mais seus carinhos,
E sempre voltar.
Quero mais seus beijinhos.
Nunca mais te deixar.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

À porta















Ao fulgurante acaso que te tomas de mim;
Soberbo mau caso que ataras sem fim.
Em partes que foram-se e deixaram o véu,
Tomadas de fúria e rancor afastaram do céu.

Roubados vestígios do que se deixou;
Nas sombras tormentas que apenas ficou.
Aos vasos sem flores que não se quebraram.
Desconcertos de amores que aqui já passaram.

Remotos controles do que foi querer,
Ao mero desejo se houvera o prazer.
Borbulhantes olhos tão cheios de cor
Agora encontra o verdadeiro amor.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Alguma (In)certeza










Talvez apenas seja assim
Observe-me sem tocar
Talvez toque em mim
E deixe-me aqui ficar

Palavras não me pertencem
Deixe-me calado, talvez
Sorrisos não me convencem
Ainda não foi desta vez

Talvez ligar-te enfim.
Silêncios não são demais.
Sem ruas, talvez sem fim.
Os uivos dos animais.

Paralelamente, talvez
Inconfundivelmente
Apenas minha timidez
Segue insistentemente

sábado, 17 de outubro de 2009

Sobre um outro sentido.










Só porque os ventos mudaram?
E mudaram as estações;
E os planos, as ondas, o foco;
Os brutos não acostumaram...

Pormenores de erudição;
Tão loucos. Tão fortes assim;
Calando o vento possante,
Mas firme em sua direção.

Rabiscam as flores no outono.
E cantando qualquer canção,
Versejar sonetos e contos,
Desmentem o próprio abandono.

Nem tanto assim mudaria;
Senão fora a mesma da fé.
Subir as montanhas do chão
Ao voo que lhe alcançaria.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A noite e o sono










Ruídos e buzinas soavam
Luzes acendiam e piscavam
O choro inocente e constante
Tudo estava junto neste instante

Como esta noite fora, tão pálida
Passos sem rumo, e sede ávida
Sem luar, sem dança nem par
Tão cheia de nada no olhar.

Nos braços, agora vazios
Em nosso lugar há navios
Que fico perdido ao ver
Por hora estou. Sem querer

Então me deixo outra madrugada
Aqui continuo... Ligado em nada
Por mais um gole que a ti me tome
À mercê da falta que me faz insone.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ao que me calo

Calado,
Me vejo...
ainda assim, te desejo
Calado,
Anseio...
de toda a vontade do beijo
Calado,
espero...
à paciência de um monge
Calado,
eu quero...
ainda que estejas tão longe


Calado,
como quem já fora falante
quieto,
como era em outro instante
tão mudo,
como ouvira um outro segundo
e surdo,
abstendo-me outrora do mundo

Calado,
esperaria o mundo passar,
deixaria o inverno gelar,
e traria a lua pra cá...
Falante ao ver-te chegar.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Meu mar










Mais ainda eu estaria
da nascente ao leito rio
me causara o arrepio
fora a doce calmaria

Que o céu me prometeu
será minha estrela guia
e me enche de alegria
já me sinto todo teu

E ruboriza-me...
troca-me as palavras
deixa-me sem falas
e me ama...

Como eu sempre quis
és o mar que naveguei
Sempre mais do que sonhei
Só você me faz feliz

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Agora sou mais











Pois hoje novamente
Nossa lua é crescente

Ilumina-me o sorriso
Colorindo o meu mundo
É o meu paraíso
Mais a cada segundo

Mais do que sempre quis
Fez-me apaixonar
E me faz tão feliz
Em seus braços estar

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Caminhada











Ondas e brumas levitam...
Revelando-se ao velejar-te em mim.
Como o vento suave trazendo-me a paz.
Amplitude de cores em minh’alma,
Aonde é a lua testemunha.
E o mar que molha e acalma.
Sentidos e sensações... Querer sempre mais...

Certeza essa que há, pois não pode quebrar;
Ao caminho mais íngreme, iremos subir.
Pois seja o que for, que haja chuva ou calor.
Nem os mais fortes trovões, farão desistir.

sábado, 19 de setembro de 2009

Ainda chove












Cada gota de chuva que cai
Lembra-me de ti
Cada raio de sol que aquece
Remete-me a ti

Pois a noite é mais doce em ti
O sol é mais brando em mim
A canção mais suave por nós
Da paz que alcanço em tua voz

E ao lado seu,
Meu dia é de paz.
E se anoiteceu,
Meu mundo é mais.

E agora, o que me invade
É dor que machuca o peito,
Aperta-me essa saudade
Agora só tem um jeito:

Voltar logo para você.

Rasgado


Sem sombras,
medos,
delírios,
sem noção...
Do tempo,
da hora,
espaço,
Sem tino...


Despedaçado era a noite, e o dia
levando-me a cada instante
Saudade era nome de toda agonia

Abusado de mim, irrompido
ao furor que acomete o desejo
E apressado, corria, e corria...
Sentia ainda o sabor do seu beijo

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

À Bonança











Calado, levar-me-ia inconsciente
Em mares tal qual antes velejava
Águas calmas foram-se contentes
Delírios sobre o céu que trovejava

Sem noção da fúria que acometia
Ao refugio que o abrigava então
Pôs ao colo acarinhado à fidúcia
Afagava-lhe este pobre coração

Doravante renascida calmaria
Apetece-me sonhar-te ao infinito
Em certeza que jamais a deixaria
Sempre tornas o meu dia mais bonito

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Ao por do sol










Aos torpes e ávidos de pavor
Sombrios e incólumes
Despidos de inocência e rubor

Perpetuam a outra forma de o ser
O início do final em meio termo
Há tempos sem aurora, sem nascer

Deixar-te-ia assim... À lua...
Despes-me de calma, sem querer.
Enlaça-me, e deixa-me a alma nua.

Ao ocaso perpetrava a cobiça
Por acaso, sem culpa...
Despertara assim mais cego vício.


(imagem: http://br.olhares.com/)

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Não te escondas de mim

Deixe-me ser o abrigo
Saciar a sede de ti
Adorar este sorriso
Irromper o que há em mim

Orquestrar toda esta vontade
Propender em teu carnaval
Reinar-te com majestade
Ser o seu bem contra o mal

Ainda que todo o tempo
Que torce e maltrata
Aquilata o sentimento
Devora-me e devasta

Servirá de proteção
Nas agruras de meus dias
Sem canção ou melodia
Deste pobre coração.


(imagem: http://br.olhares.com/)

Sem coração

Ao peito que dói
E arde sozinho
vizinho da solidão
vivendo vazio






Pois quando o sol se for
Logo a noite virá
Quando a noite chegar
A saudade é dor

E a cama vazia
Sem o meu cobertor
Travesseiro ou calor
Mais uma noite fria

Pungente e cínico, voraz
Salta de mim, contumaz
Rasgando meu peito
Levando-me a paz


(imagem: http://br.olhares.com/)

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Ao Quarto, e crescente.

Sei que hoje sou mais
somado à ti.
Sei que hoje tenho paz
e sou mais feliz

Pois colha-me
Sempre que aportar
E acolha-me
em nosso lugar


Pois o céu está contente, o luar faz-se presente
Aqueço-te em meu calor, faça de mim seu cobertor
Cada dia mais, a nossa lua é crescente.
Sempre, e sempre...
Faremos do laço a outra dobra, de encaixe perfeito.
Do que nada falta, nem sobra.
E voamos, velejamos... Sem rumo, sem fim.
Sempre, e sempre...

E o voo... Que a dois é melhor,
a três é muito maior.
Foi Deus que lhe fez, e trouxe pra mim.
Como a felicidade sem fim...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Peles, bocas e rendas

Cala-me,
Embala-me..
Beijos mais quentes
E doces...
Viagens presentes

Ausente,
Faz-me ser noite
Revela-te à luz,
À meia luz
Chega sem fim,
Esta meia noite
Em seda e rendas,
Apenas conduz

Ao toque macio
De fera no cio
De mais alva pele
Em tão negra renda
Ao suor que me toma
Da febre que aumenta

Por onde me leva
Ausente de fim
Seus lábios me tornam
Ausente de mim

Limites

Tão tênues linhas
Por vezes temidas
Ora estabelecidas
Até fazem-se sozinhas

Para serem mantidas
E serem rompidas
Sem serem quebradas

Símbolos da paz
Pivôs de uma guerra
Não mais volta atrás
Faz-se a nova era

Às bolhas da dor
Faz esmorecer
Separa os fracos
Faz enlouquecer

Nos campos do amor
Já não mais existe
Pois não há mais regra
Não há mais limite

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

I have to go... Now

Give me news
write me one letter
anything
scream-me dont make me happy
just scream my name if you feel it
just write-me if you feel
but dont talk to me
dont speak
this is all i need sometimes
honey,
i know me
and some days i know you is
all it i dream at me
but in other days
i just need stay alone
but know for every second i'm with you
i feel one infinity happiness
and everything i want is more
i want make you so happy like me
oh, i dont know make this
I think it i dont care it you
just live, and no justify
our actions for try to stay together
then I try still alive
but I go now, i have to go
I take all in my memories
all time it you make good
but I go now, i have to go

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Mergulho sem fim

Envolto em carícia
Desperta malícia
O cheiro de mulher
O desejo e a delícia
Por horas amar
E nunca acabar
Sem pressa, sem medo
De anseio e desejo
Em vasta imensidão
Levitar, com sofreguidão
Como nem imagina
Tamanho o prazer
Em nadar, e nadar...
Que invade o meu ser
Como me alucina
Mergulhar em teu mar...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Fonte

Da sede, do mel e desejo
Improvável diferença
Da fome, da sede do beijo
Ilimitada sentença

Que aporta em ânsia ao repente
Adoça e amarga a boca carente
Evita o ser abrigar
Apressa a sede voltar

Domina
Esmorece
e faz-se presente
convite a loucura do corpo doente

Da sede, da alma
Da boca, do beijo
Aguça a vontade
Fonte do desejo

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ainda lembro...

Ainda molha-me a boca
E lembro-me o tempo
A voz quase rouca
O nosso momento
Só nosso... Ainda lembro

À porta fechada
De alma em pelo
Suave, e amada
A pele, o cabelo
Só nosso... Ainda lembro

O canto que é seu
No mesmo lugar
Apenas cresceu
Ao tempo de amar
Só nosso... Ainda lembro

E bate a saudade
Que aperta, e aumenta
E bate a vontade
Desejo que me alimenta
Ainda é nosso... Só lembro...

domingo, 16 de agosto de 2009

A ida e a volta

Por outra vez deixarei
Terei de partir
Com dores que levarei
Pois tenho que ir

Deveria seguir meu desejo
E ficar...
Ouvir meus palpites sem medo
E ficar...
Quisera ter essa coragem
E ficar...
Não mais voltar de passagem
E ficar...

Ao tempo sufocante que insiste
Devora-me
Rompe-me
Saber o quão longe é triste

Mas levo-te em fantasia
Viajo em ti com alegria
Ligado a nossa sintonia
Desejo voltar todo dia

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sede de cores

Riscava sem cores
Desejos sem flores
longe do sorriso
do meu paraíso
E voava...
Anseio em chegar
e poder voltar
Reatar os laços
Pousar em seus braços
Das noites sem trégua
Da rosa mais bela
Retomar a cor
Transbordar o amor

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Como partir?

Hoje a lua sorri
Mostra-se bem mais contente
A lua a nós é crescente
Boa é a noite de ti

Como agora posso sair?
Segundos são longos demais
Como posso partir?
Contigo meu mundo é mais

Depois de ver-te sorrir
Amar-te até amanhecer
Rasgo-me ao despedir
Como sair sem sofrer?

Resta-me à lua rogar
Que seja sempre crescente
Avive-se eternamente
E venha nos iluminar

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Amar, visão do amor.

(Sugestão de Luiza Soares por e-mail em 27/07/2009)

Há dias sem sol feito noite.
Noites escuras e pálidas.
Impolidas, feito corte de acoite.
Sombrias e pouco ávidas.

Assim passam os dias
E as noites se vão
Rasgando como ferida
Sem calor ou canção

O frio é estar sem ninguém
Pior é não saber amar
Ainda que mero alguém
Que não corresponde ao chamar

As horas incertas irão
Ao tempo deixar de ser dor
Só quem não tem opção
Que nunca sentiu o amor.

Amar é estar sempre pronto
Deixar é viver sem razão
Amar é esperança no peito
Amar é ter um coração


O amor não se vai, nunca morre e a distância não pode esfriar.
Pois amar é ter fé, é saber esperar.
Apenas quem já sentiu seu sabor, seu acolhedor paladar pode imaginar.
Não importa em que língua, cultura, credo ou idade. É uma chama imortal.
O amor é assim... Rima com flor, com calor e até com dor.
Pois sem seu valor, não somos nada mais que um simples espectador.
Vem trazer alegria, toda a fantasia que faz-nos a criança de outrora.
Se for correspondido, sublime é a emoção que inunda e transborda.
E quando platônico, faz-nos criança a sonhar, desenhar e apenas amar.
Pois é egoísta, e nos toma de assalto, se apossa de vez e faz-nos delirar.
Mas é cheio de fé! E um lugar qualquer que o possa acolher, pode ter certeza que irá ficar.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Por que amamos?

(Por Márcio Almeida)


Quando começou não sei
Negava isso não é comigo
Somos apenas amigos mais nada
Mas o tempo passou quando te vi
Esse sentimento se tornou uma realidade
Não tinha como lutar contra isso
Aquilo que mais negava aconteceu
Seu sorriso seu perfume seu charme
Suas idéias nossas conversas
Sem segredos sem medo de dizer
Os erros cometidos mas sabendo que
A verdade seria dita.
Como te esquecer se vc é tudo
Que sempre sonhei
Se ate nos seus maus humores te entendo
Coração podia ter DEL igual computador pra
Apagar esse sentimento porque sei que você
não me ama sei disso e não se ama sozinho
Mas não da pra arrancar seria pior
Vai passar enquanto isso continuo a te amar
Mas esquecer demora

quarta-feira, 22 de julho de 2009

O que seria?

E se fosses um pássaro?
Transformar-me-ia em céu!
Em límpido azul celeste.
Dar-te-ia o espaço que precisares
Acolher-te em meu colo.
Envolver-te enquanto voares

E um peixe que fosses?
Em oceano me Transformaria!
Tão calmo... Vasto e profundo.
Dar-te-ia limpidez que precisares
Acolher-te em meu colo
Envolver-te enquanto nadares

Se fosse uma flor?
Em terra me transformava!
Em fértil e úmido terreno
Dar-te-ia a nutrição que precisares
Acolher-te em meu colo
Envolver-te enquanto brotares

E fosse um raio de sol?
Transformar-me-ia em sombra!
Em pura e cheia de nada
Dar-te-ia o espaço que precisares
Acolher-me em teu colo.
Deixar-te-ia me iluminares

sábado, 18 de julho de 2009

Podíamos voar...

Menina que vem meu dia alegrar
É o meu querer, presente assim
Em dias de chuva, faz o sol brilhar
Não sai do meu corpo e de mim

Fique comigo hoje aqui. Esta noite
E deixe-me pela manhã, delirar
Estaremos depois, apenas nós dois
Podemos ser um, podemos voar

Pois só assim eu perco meu chão
Subimos mais alto, vamos flutuar
Seremos nós dois no céu então
Longe do mundo, de qualquer lugar

quinta-feira, 16 de julho de 2009

O Pesar delirando

Ontem me lembrei de deitar
Há tempos não dormia
Ontem me lembrei de comer
Há tempos não comia

Ontem foi assim, tão quente
Já nem lembrava tanta emoção
Não lembrava mais da gente
Nem que tinha um coração

Sequer imaginara viver sem ti
Tampouco se poderia existir
Um lado de sombra em mim
Nem o pior ainda por vir

Travara batalhas homéricas
Digladiava sem escudar
Trombara em lutas épicas
Renegando o que lutar

Sibilara ao vácuo da alma
Purgara ao inexato saber
Onipresente fora à calma
Entrevar-se à delícia de ser

Postara-se diante do mal
Que piamente abrigara
Tremor de todo mortal
Ainda que apenas sonhara

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Foi o Inverno

Olhava as nuvens passando
Os pássaros indo e voltando
Sempre assistia o sol nascer
O dia vagar e anoitecer

Depois eram cinza e vagos
Muitos eram dias amargos
Então vinham noites tão frias
Sem brilho e um tanto vazias

Inverno já era sem fim
Sem flores em meu jardim
Sem formas e nem cor
Apenas rabiscos de amor

Enfim primavera chegou
E trouxe de volta a cor
Floresceu o meu jardim
Trazendo alegria sem fim

terça-feira, 14 de julho de 2009

Até o fim

O que cabe não sentir?
Não sofrer e não sorrir?
Cabe apenas acalmar
Só amar e não mentir
Para onde foi a cor?
E a canção de amor?
Para sempre desistiu
Só calou e consentiu

Consternado sentimento
Aflito, torpe lamento
Por vezes dolorido
Insone e sem sentido
Já se fez loucura
Rasgou-se em agrura
Perdeu-se do abrigo
Ficou sem sentido

Que então finde a palidez
Que então seja de vez
Que não mais volte atrás
Pois amargo nunca mais
Já que não dá pra voltar.
E nunca mais ter que acabar.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Amanheceu

Hoje estou mais sorridente
Estou muito mais contente
Pois o novo alvorecer
Faz de tudo tão mais belo
E renova-me o viver

Vejo então um novo dia
E aumenta minha alegria
Não é mais tudo deserto
Sei que agora estou mais perto
E tão logo vou te ver.

Hoje o dia nasce mais especial
Ares que levantam o meu astral
Fico imaginando estar contigo
E acordar na manhã de domingo
Abraçado ao meu bem querer

domingo, 12 de julho de 2009

Daqui pra frente

Levara tanto para saber
Depois daquele amanhecer
O que consigo carregara
Já eras teu, pois eu apenas o guardara
Durante o tempo que me fiz

Preparando este aprendiz
Que agora mata essa saudade
Beijar-te imerso na vontade
Agora e daqui pra frente
Pois estarei mais sorridente
Só pra te fazer feliz

sábado, 11 de julho de 2009

Autoantítese

Pois então, queria também saber como serei
Em tantas fases, tantas vidas que nem sei
Como ser eu sem descanso, sem medidas
Muitas vezes até canso de não querer outra vida

Passo bem aonde vou, seja frio ou calor
Já fui caso, fui novela. Ate caça e caçador
Fui palhaço e acrobata. Já venci, fui perdedor
Mas não perco a esperança e não deixo meu amor

Sou apenas aprendiz neste mundo de meu Deus
Tenho fé no que me é bom...
Se me aprendo muito bem, sempre esse foi meu dom
Aprendi a duras penas o quão difícil é o adeus

Mas poeta eu nem sou, gosto de ser versador
Faço texto e até rima, mas queria ser cantor
E canta por esses lados, fazer rir da minha sina
De ser pai de dois rapazes e de uma linda menina

Faço gosto em escrever mesmo sem sentir a dor
Mas sei bem como ela é. Sem mentir sou fingidor
Bem por fora casca dura, bem por dentro molezura
Bem amargo de tranquilo, sempre aqui nessa loucura

Tudo é novo todo dia
Nessa mudança constante
Muda canção e humor
De amado a amante
Até dor virou amor

Sei que amores vêm e vão
Tudo é verso ou canção
Num paradoxo profundo
Do meu velho novo mundo

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Partida

Como não ser difícil a partida?
Sempre é assim, dolorida
Que aferroa e deixa ferida
Como não sofrer na despedida?

Mas não pense que é só você
Dois lados o têm a perder
E pode o tempo passar sem ver
Pode até não deixar-se abater

Ao mero acaso do inevitável
Cicatrizado será o saber
Uma fonte inesgotável
Do que faz aprender a viver

Pois não se deixa vencer
Aquela que não vai morrer.
Esperança, assim eu lhe rogo:
Fazer do adeus, Até logo!

terça-feira, 7 de julho de 2009

Agora estou longe, mas...

Enquanto isso...
Adoro te dar bom dia
Suave e doce melodia
E posso tua voz ouvir
Ainda ao longe sentir

Enquanto isso...
Fotos em meu álbum olhar
Seria bem melhor estar
Pertinho é bom de viver
Ao lado do meu bem querer

Enquanto isso...
Sentir a saudade apertando
Em breve estou voltando
E seja à distância qual for
Aos braços do meu grande amor

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O Tempo que passou

Já passou o tempo
O tempo da seca amarga
O tempo de noites só
O tempo da vaca magra
O tempo de sentir dó

Já passou o tempo
O tempo de rabiscar
O tempo de esconder
O tempo de maltratar
O tempo de sofrer

Já passou o tempo
O tempo de ficar na vontade
O tempo de não tocar
O tempo de sentir saudade
O tempo de não beijar

Já passou o tempo
O tempo de ser triste
O tempo que não tinha cor
Agora as cores existem
Agora existe o amor

sábado, 4 de julho de 2009

Abstinência

Vejo a noite passar
Enquanto a chuva cai
Deito-me em delírios
Levito até voar
A memória me distrai
Abstenho do meu vicio
Até quando aguentar

Raspas e restos
Letras e sons
Toques e gostos
Gestos e canções

Meu vicio me domina
Em transe de sensações
Prefiro estar bem longe
Aonde abrasa e desatina
Radiantes e tórridas visões

Quero estar em meu hospício
Delicado, apertado, afagado
Abrigar-me desse mundo em prazer
E voltar para o meu vicio:
Seu abraço apertado...
Que saudade de você!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Queria eu...

Queria horas sem fim
Dias intermináveis
Beijos incontáveis
E ter você só pra mim

Queria não ter que sair
Não ter hora pra tudo
Podia até parar o mundo
E nunca mais te ver partir

Queria ser seu namorado
Ouvir o que sempre me diz
Assim eu sou muito feliz
Estar para sempre ao seu lado

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Lua Crescente

As voltas que dão este mundo
E fazem do raso profundo
Um mar de desejos tão denso
Oceano de amor imenso
A lírica luz que ilumina os apaixonados
Levita entre estrelas e conduz os enamorados
Satélite sem brilho que apenas reflete a luz em si
Assim como estou sem brilhar quando longe de ti

E faz avivar sentimentos
Acende doces momentos
Desperta quentes paixões
Inspira tão belas canções

Hoje a lua é crescente, como o amor
Hoje a lua é crescente pela segunda vez
Hoje a lua é crescente quando o sol se for
Hoje a lua é crescente como o amor se fez

Hoje assim sou mais forte
Hoje sou o céu a brilhar
Hoje ao sul ou ao norte
Hoje sou qualquer lugar

Hoje meu voo é tão alto
Hoje sou mais que avião
Hoje sou baixo e contralto
Hoje sou mais que a canção

Hoje iluminado o amor despertou
Hoje o meu olhar brilha mais que a lua
Hoje a vida nos mostra o que reservou
Hoje sou mais do que seu, e de alma nua

Hoje me deixo sonhar
Hoje não sou mais cigano
Hoje vou lhe desejar
E quero dizer que te amo.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Delirante

Emoldurado em sua pintura
Vejo teu rosto em qualquer lugar
Eternizado sublime figura
Vejo teus olhos a me olhar
Iluminado...
Meus olhos a te olhar
E brilham...
Brilham como se não houvesse luz ao redor
Ouvindo a trilha sonora
Entorpecido por recordar

E sempre que raiou o sol
perdemos os nossos sentidos
Sem noção das horas,
nem do tempo que passa depressa
Entrelaçados, sem mais forças,
suados e sem coberta
Entregues ao delírio do sonho
acordado em música aos ouvidos
Ao amanhecer de tarde,
ao mais leve despertar
Apenas suave desliza...
Arrepia ao tocar
Em beijos faz-me desperto,
faz-me aberto voltar
Sem luxos, sem pudor
Faço festa em seus braços
Continuo em seu espaço
Abrasado em nosso calor

Reluto em sair daqui
Levantar-me e partir
Recuso-me a deixar
A levantar e sair
Achar eu me deixo
Perder em cada curva
Se horas pudesse parar
Assim ficaria
Novamente faria
Outra vez amar

terça-feira, 30 de junho de 2009

Envolvimento

Envolto em fumaça...
Da vida que passa
Da alma que embaça
Da calma que deixa
Da mente desleixa
Envolto em razão
Do que foi vivido
Do que foi temido
Do que foi em vão

Envolto em ternura
E sem amargura
Por vozes de agrura
Em minha aventura

Envolto em loucura
A calma me diz
Que sou aprendiz
Da vida feliz
Assim me tornando
Vamos transformando
Em cada momento
Este sentimento
Envolto em amor...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Não quero mais!

Não quero mais...
Os dias tão frios
Antes anoiteça

Não quero mais...
Lugares vazios
Os pés na cabeça

Não quero mais...
Procurar o pedaço
Que falta de mim

Não quero mais...
Vagar no espaço
Sem tempo ou fim

Não quero mais...
Deixar-te partir
Sair de meus braços

Não quero mais...
Deixar de sentir
Seu corpo, seus lábios

Não quero mais...
Não ver o seu rosto
Olhar penetrante

Não quero mais...
Não ter o seu gosto
Em mim neste instante

Não... Não quero mais!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ainda

Ainda posso sentir
Sua pele...
Ainda posso sentir
Seu cheiro...
Ainda posso sentir
Seu toque...
Ainda posso sentir
Seus beijos...

Ainda estou aqui,
Viajando...
Ainda estou aqui,
Divagando...
Ainda estou aqui,
Sonhando...
Ainda estou aqui,
Lembrando...
Ainda estou aqui...
E continuo te amando

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ao despertar

Vejo o mundo girar...
Inalcançável lua que brilha,
Assisto meu corpo no mar.
Estrela cadente que me guia.

Vejo a terra do ar...
Espelho d’água que ilumina,
De onde não se pode voar.
Velejo em ondas de alegria.

Vejo a lua brilhar...
Entorpecido em minha fantasia,
Ouvindo o doce cantar.
Então sintonizo nossa melodia.

Vejo o dia clarear...
Ao gosto do sonho que finda.
Se ao menos pudesse acabar...
O sol despertou mais um dia.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Permanentemente

Permanece em minha mente
Algo como nem se sente
Agito derrepente
Algo mais coerente
E da vida recorrente
Sou apenas indigente
E me deixo em sua frente
Mais que abundantemente
Ainda tenho este presente
De memória tão latente
Que atiça fogo ardente
Fazendo-me mais quente
E tão inocentemente
Fez assim tão inerente
Pois indubitavelmente
Fez-me muito mais contente

Para falar ao espelho

Vindo de onde vier, esteja onde estiver
Mas venha de um lugar qualquer
E deixe ser o que se quer
Veja tudo o que bem puder
Mas seja quem você quiser

E sendo assim pode ser
Fazendo o que quiser fazer
Não deixe o peito doer
E a alma empobrecer

E agora:
Realize tudo o que puder
E ame sem medo de errar
E faça muito que quiser
Deseje o que desejar


E tenho dito!

sábado, 20 de junho de 2009

Assim por você...

Sou o mero devaneio de um louco em desatino
Sou a pauta de uma breve canção em tom menor
Sou assim como um brinquedo de um menino
Sou assim sonhando com você...

Como as águas que se perdem na queda
Como o ar que não pode ser inspirado
Como a nuvem que o vento apenas leva
Sou assim quando estou sem você...

Como a seca que precisa da chuva molhar
Como a sede que precisa da água embebedar
Como flor que aguarda a primavera chegar
Sou assim esperando você...

Como os pássaros podem bem alto voar
Como só pode o rouxinol maviosamente cantar
Como a força das ondas que festejam no mar
Sou assim quando estou com você...

Assim eu fico e me sinto meio louco
Assim eu sinto que todo o tempo é pouco
Assim me deixo em seus olhos levar
Assim é meus abraços em seus braços estar

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Nunca esqueço...

Ao mais fino véu
Adornado pelo céu
Versejado no papel
Desejado e puro mel

Agora como nunca dantes
Corações tão distantes
Pretendidos mais que antes
Olhos negros tão brilhantes

Toda pele tão macia
Tão voraz que arrepia
Vejo em pelo toda minha
Me invade, me alucina

No espelho ainda vejo
Infinito o desejo
Tudo de maior no mundo
Lembro então cada segundo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ida... sem volta

Por um segundo, inerte permaneço
E giro, e giro voltas sem fim
Tudo passa do fim ao começo
Não há volta, sem o não nem o sim

Há pedaços, há cacos e sobras
Existira o alguém que iria
Entrelinhas lagartos e cobras
Enfim, ninguém chegaria

Não há mais
Nem terços nem rezas
Ficara ao caminho
Havia paz
Mas choros e velas
Findara o destino

Se esperado
Ao menos despediriam
Se velado
Ainda assim chorariam

Ao repente que leva sem piedade
Sem adeus a quem em tenra idade
Não volta mais uma vez
Desde agosto de setenta e seis
Não há mais tempo que se move
Depois de junho de dois mil e nove.


À N.J.C. (in memorian)

Contos dissonantes

Há acima dos olhos
Em baixo relevo
Escritas e desenhadas
Palavras e sonhos
Silencio e desejo
Há bruxas e fadas
Em todos os cantos
Cortes de facas
Terror e espanto
Há lugares amenos
De lados pequenos
Há medo e anseio
Aonde pode chegar

Há pedras e espinhos
Do lado de lá
Há verdade em si
Há dias sem sol
Há noites sem dó
Em notas menores
Acordes distantes
Bem mais dissonantes
Mas em meu abrigo
Serei sustenido
Por dias melhores
Que hei de esperar

sábado, 13 de junho de 2009

De dia aos namorados

Ao que pode ser bem mais que um dia
Juntos mais que um nó tem mais calor
Pode mais durar que uma vida
Chama que incendeia o amor
Incansável, resistente
Inflamado, incandescente
Imaculado, inocente
Inviolável, permanente
Pode assim se revelar
Vem de onde nem se espera
De amizade, se rolar
Pele, boca, um olhar
Deveria incendiar
Pode até se disfarçar
Mas jamais se calará

terça-feira, 9 de junho de 2009

Bonança

Logo que a chuva passar,
Vou poder voltar
E mesmo que o dia findar,
Não vou desistir

Sementes brotaram,
Jamais vão murchar
Viraram botões,
E irão se abrir

Quando o céu estiver limpo
Veremos os anjos cantar
Quando a lua brilhar lá em cima
Seremos encantos ao ar
Quando a noite atingir o seu ápice
Poderemos então, enfim nos amar.

E tudo será tão calmo
Orvalhos gotejarão
Uma canção de ninar
Os corpos se juntarão
Em vozes tão suaves
Que fazem o frio cessar
Bocas quentes e molhadas
Tirando aquele batom

Aquele batom

Lembra de como era bom
Pense nos anos dourados
As bocas tiravam batom
Os corpos ficavam suados
Nos seios daquele verão
Mais livres e arrepiados

Formávamos dois em um só
Tudo era muito melhor
Em busca do amor maior
Beleza infinita
Pureza distinta
Embriagados de puro querer
Queríamos mais do ter
Chegava ao amanhecer
Tudo era bom a valer

Até o amor se perder
O frio inverno chegar
A noite não amanhecer
Sem horas para contar
Cinza os anos passam agora
E tudo deixou de existir
Assim que chegou ao final
Lembrando os tempos de outrora
Não há batom de cor surreal...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Bem sério

Eu falo sério quando digo o que sinto

Não mudo meu modo também

Não calo ou deixo voltar. Eu não minto

Para sempre me deixo além

Nos meus sonhos há o que vejo

Existe muito além do desejo

Havia um dia que seria assim,

Uma vida que seria pra mim

Bem mais que o que posso ver

Tornando o maior bem de viver

Dias de Trégua

Por onde andavas esse tempo que apaguei?
Em cada canto que deveras me apeguei
Todavia se entregara em pedaços e errante
Laços mal feitos e desfeitos neste peito latejante
Bordas de rendas mal tecidas e bordadas de barbante
Camas e mesas nas banheiras de um tolo navegante
Lagos estreitos pelos mares que passei.
Talvez corresse muito mais que naveguei
Andava...
Corria...
Sonhava...
Temia...
Parava...
Queria...
Surrava...
Sorria...
Buscando nessa imensidão azul
Ao mar entrava esperando encontrar
O que seria, que mais pudesse completar
Nem tão ao norte, tampouco longe ao sul

Pontes e baías, montes e vales não se cabem
Lutas, guerrilhas, noites e sombras que entravem
Dias de gloria clarearam, uns de miséria vaguearam
Rostos ao longe avistaram findados anos que passaram

Sem brilho, sem luz e sem um final feliz
Passou-se a vida bem diante do nariz
Mas tudo muda...
O sol que sempre vai brilhar
Fará de novo um novo dia clarear.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ouvinte

(Rio de Janeiro, setembro de 2003)



Se soubesse melhor dizer o que sinto

Diria muito e muito mais

Pois sabes, meu bem que não minto

Apenas eu penso demais

Penso em aprender a falar

E vivo tentando aprender

Sempre que eu tento mudar

Eu desisto. É o meu jeito de ser

Eu queria fugir do resto do mundo

Queria eu... Se um dia pudesse voar

Voaria ao penhasco mais profundo

E depois subiria mais leve que o ar

Buscaria todas as palavras que existem

Em todas as línguas que engasgo

Pois mais entendo o que me dizem

E ouço melhor do que falo.



segunda-feira, 1 de junho de 2009

Silêncio e vertigem

E deixo a boca falar o que não devia
O coração vai parar com essa agonia
E quando a vida mudar da água fria
Vou tentar me lembrar
O rosto vai petrificar
A alma muda vai falar
E sempre irei me tomar por essa alegria

Me deixe, ao acaso encontrar
Me pego nas ondas do mar
Fumaça e vento a tragar
Tomando a mim apenas por essa alegria

Vertigem sem rumo nem nexo
Só beijo. Sem papo nem sexo
Vivendo um caso complexo
E sempre irei me tomar por essa alegria

E... Quando esta noite tentar me deitar
Num quarto sem velas sem cores nem ar
Meus olhos veem apenas... Aquela alegria.

(escrita aos dias idos de 1999)

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sou eu, pensando em você

Mesmo que o sol não saia,
Penso em você.
Mesmo que a chuva caia,
Penso em você.
Mesmo que a noite esfrie,
Penso em você.
Mesmo que a lua não brilhe,
Penso em você.
Mesmo que amanheça,
Penso em você.
Antes que anoiteça,
Penso em você.
Mesmo que o sol me aqueça,
Penso em você.
Mesmo que a lua apareça,
Penso em você.
Mesmo que tempo maltrate,
Penso em você.
Mesmo que a distancia separe,
(Muito mais assim)
Penso em você.

Apenas me basta pensar
E todos já podem notar
Alegra e muda meu dia
Muda minha sintonia
E fico sonhando acordado
O corpo fica arrepiado
E faz-me sorrir bobamente
Me deixa cantando contente
Tentando rimar meu amor
Apenas pensando em você

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Be forever with me

"I want you
stay here without your arms
I feel me torn.
I stay lost without you
I am being re-born
I want love you in every way
I need you
I want live me in you
In every way
In every day
I am ready for restart
For begin again
and live my life
with your life
for all days
we can scream
we can dream
for always
we can be with our love
be forever
just you and me"

(small song)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Lugares sem brilho

Logo que o dia findar, quero te ver
Assim que noite chegar, quero te ter
Na hora que o sol raiar, lembrar de você
À tarde na beira do mar, é mais que querer
E quando puder te tocar, quero seu prazer
Muito mais que só olhar, é ser só de você
Sorrisos tão bobos e olhares me fazem perder
Sentidos que deixam marcar, já deixam saber
Minutos são dias terríveis e frios longe de você

As ruas são meros desertos. Os bares, lugares incertos.
As praias sem o sol a brilhar. Noites são cinzas em todo lugar.
Pássaros já nem cantam mais. As flores não abrem jamais.
Enquanto estiveres assim, voando bem longe de mim...
E quando puderes voltar mais brilho terá o luar
Para sempre irá iluminar por onde quiseres passar!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

O Encontro

Sugestão por e-mail de Liliane Alves – BA. (24/05/2009)
Boa sugestão Liliane.
Espero que goste... E comente também!

...

E como dizer o que vi
Ao menos sei o que senti
Em largos sorrisos que abri
Ao ver-me tão perto de ti

Então, falei...
Então, andei...
Então, calei...
Então, pulei...

Vi-me cair, depois voar
Senti a face ruborizar
Perdi o tempo, a direção
Perdi o tino e a razão

Brinquei de ser uma criança
Em pleno estado de esperança
Ao desenhar a tua boca
É infinito! É coisa louca!

Então, enfim inflei de vez
Deixei de lado a lucidez
E numa grande explosão
Entreguei a ti meu coração.

...

domingo, 24 de maio de 2009

Mudança de estação

O frio inverno que atormenta e faz-se gris
Sequer imaginara este sorriso tão feliz
De brilho intenso a saciar minha vontade
Fez um dia perfeito descobrir sua saudade

Jamais imaginara dividir ao meio assim
Durante o outono florescera em meu jardim
Nó seco que engasga e arranha a vontade de falar
Então calo e contento o desejo no olhar

Nas nuvens eu me pego, e arremeto para ti
Nos sonhos eu te vejo como eu quero para mim
E faço minha boca te tocar nessa viagem
Sem sombras, sem distância, é perfeita sua imagem.

Só uma vez eu falo, e deixo a boca me calar
Já no primeiro toque que se deixa arrepiar
É mágica, é delírio, é assim se faz prazer
É imensa essa saudade, essa vontade de você

sábado, 23 de maio de 2009

Aquecendo a voz

Havia tanta gente por aqui
Muitas passando por mim
Tantas noites sem dormir
Sem falar, às vezes sem ouvir

Sem querer buscar, apenas descobriu.
Esta beleza, que até me confundiu.

Como o alvorecer pode mudar
Pode cobrir, pode inundar...
Sobre o corpo pode a chama acalmar.

Nem todo o sempre, eternamente calará
A voz que inflama, arremete e acalenta
Emudecendo, insana e violenta quererá.
Perecerá torpe e perdida a palidez
Que um dia veio instalar-se e se fez
Calando a brasa que aquecera a lucidez.

Mais forte assim e derrepente invadiu
Iluminando as trevas que este peito engoliu
E devassando tudo, sem pedir esse furor
Aproximou-se, e fez assim o meu amor.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Tentativas

Sem tentar, não há vitória.
Sem querer, não há história
Em toda história, há um começo
Em todo começo, há um tropeço
E apenas chega ao fim quem tentar
Sem desistir e jamais deixar de sonhar

Algumas vezes são assim...

Nas vezes que tentei dizer, parei.
Nos dias que tentei correr, falei.

Em certas passagens de clareza, andei.
Em sombras trêmulas de certo dia, voei.

Em muitos incêndios de querer, tentei
Incertos e desejados abraços, sonhei.

Mera certeza de apenas encontrar, eu sei.
Em qualquer caminho que me leve, seguirei.

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Fria manhã

Meus rabiscos me fazem lembrar ainda mais das ondas que faço quando imagino a sua presença.
Ah, doce presença em meus sonhos.
Pura lembrança de encantos.
Correndo como quem já não pode mais, apresso bem mais os meus passos.
Envolto em névoas da manhã abrigo-me em todo o calor que desejo de seus braços.
Amáveis sorrisos em larga escala ao olhar meus olhos nos seus.
E sem mais poder me conter, deixo rolar sem pudor a salgada e amarga lembrança daquele beijo de adeus.

sábado, 16 de maio de 2009

A culpa é do seu Deus?

O que pode levar o homem (leia-se humanidade) mais longe?
Aos passos largos que caminharíamos se compridas fossem ainda mais as pernas da sabedoria. Nem a mente, nem os sentidos elevados na máxima potência de saber poderiam responder. O bem que se faz ao próximo, a dita solidariedade encarada como entrada para os Céus, o Paraíso, O Plano Superior, ou seja, não importa como é chamado. É como Deus, Buda, Jesus, Jeová, Alá, o Sol. Todos são tão importantes quanto quem os segue, e seguem suas palavras, escritos e mandamentos. Sem querer colocar uma religião acima ou em maior importância que outra, ou mesmo nenhuma. Todos têm o direito de seguir o que quiser, ou for imposto, seja por sua cultura, por seus pais, ou por falta de opção mesmo. Só não venha dizer que a caridade é mandamento divino. Ah, não... Seja egoísta, fraco, forte ou como quiser, e não culpe Deus nenhum.
Seu sofrimento não é culpa dele, suas derrotas, sua doença ou qualquer praga que achar que tenha sido jogada em você.
Não venha repetir a frase: Deus é amor. E depois colocar a culpa de seu próprio sofrimento nele, seja seu Deus qual for. Pois se ele é amor, ele é fraternidade, igualdade, bondade, solidariedade... Mas:
Fraternidade não é amar e ajudar apenas os seus.
Igualdade não é separar os iguais
Bondade não é ser benevolente com tudo.
Solidariedade não é caridade.
Ser fraterno pode ser mais que ajudar apenas os necessitados, como em campanhas na TV. Igualdade é tratar todos de forma igual, e não separar os povos e raças por sua cor da pele, ou sua crença. Bondade é fazer e praticar o bem, não permitir calado a prática da maldade. Ser solidário não é dar esmolas a quem tem fome, ou estaremos criando e alimentando parasitas, que acabarão tornando-se nocivos para a sociedade. Ser pobre não é ser desonesto. Solidariedade poderia ser ensinar a pescar...

E tenho dito!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Atirado no escuro

Se quiser, se quiser, se quiser... Entrar.
Se vier, se vier, se vier... Ficar.
Se tiver, se tiver, se tiver... que voltar
Onde estiver, estarei pronto para amar

Se sonhar, se sonhar, se sonhar... Convém
Se acordar, se acordar, se acordar... Também
Se gritar, se gritar, se gritar... Além
E chamando estarei por você meu bem

Em qualquer esquina eu vou ficar
Esperando a paixão chegar
Gritarei por qualquer lugar
A razão por eu te amar

Revelando a dor da partida
Me rasgando na despedida

Sou pedra bruta e sem direção atirada na escuridão
Em caminhos sem cor nem volta.
Não me atiro de pés no chão
Um moinho de vento apronta
Apontando o seu coração
Desatina meu peito agora
E me entrego em suas mãos

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Fim de tarde

Espero conter o riso quando o pôr-do-sol chegar
Disfarçar minhas bobas feições de alegria
Apenas sentir e me conter em minha tola fantasia
Deixo-me imerso em minhas memórias me levar

Talvez pudesse sentir a brisa fresca que me alivia
Os pássaros que voam pelo azul e limpo céu
As flores que se abriram tal singelo e fino véu
Se envolto não estivesse em sua doce sintonia

As canções que ouço já não têm efeito assim
Não importa do falem. Ritmo, letra ou melodia
Ao menos fossem para dançar toda hora, todo dia
Nada pode arrancar a sua voz dentro de mim

Não sei como pode existir o mundo sem o seu calor
Qualquer noite é de verão se estás perto de mim
Aquece-me e derrete, despedaça e me recolhe enfim
Pois nem o sol me aquece tanto quanto o seu amor

terça-feira, 12 de maio de 2009

Brincar de lembrar

Se as nuvens fossem de algodão
Seriam mais doces, e leves então
Poderia pular e voar de cada avião
E ainda assim, estaria longe do chão

Nem sempre olhavas o mesmo céu
Ou velejava no mesmo barco de papel
Nem sempre escutava o mesmo tropel
Nem brincava de passar o mesmo anel

Quando miúdo, pensava em crescer
Agora que o és, queres encolher
Voltar a brincar, voltar a correr
E fantasiar, super-herói pode ser

Quem queria pular o mais alto que fosse?
E se as nuvens fossem de algodão doce...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Versão literal

Porque sou uma antítese qualquer
Sem sombra, nem cópia sequer
Habitando um vulcão em erupção
Andei escondido no olho do furacão
Queria que soubesses meu bem
Sou um mero paradoxo também
Acho que gosto mais do que não quero
Vou embora agora por que te espero
Que sonho muito mais acordado
Anseio mais esperando o passado
Prefiro a felicidade que passei
Que a dor que talvez sentirei
Mas sóbrio e também literal
Meramente um reles mortal
O que passou já não mais será
Ao tempo deixarei. Só ele dirá
Agora é tarde, não posso voltar.
Não é que não tenha forças a lutar
Ou esteja disposto a tudo esquecer
Sinceramente...
Não mais me permito sofrer

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Torpe encontro

Eu hoje encontrei a saudade
Que me contou certa verdade
Que toda vez que me invade
Apenas é pura maldade

Primeiro me deixa despir
Depois dançar e sorrir
Insone me espera dormir
Aguarda minh’alma se abrir
Para então me ferir
Devassar-me e partir

Aperta meu peito e esmaga
Deixando um vazio que rasga
Felina e feroz, estúpida e ingrata
Deixe-me, leve seu fel que amarga

Empáfia de feiticeira
Vil, torpe e matreira
Ainda me livro de ti, saudade
Matando-a qualquer maneira

vous aime

l'amour est la remise, la remise de votre corps, votre âme.
ne veut pas de rien, être égoïste. est l'amour
Maintenant, je veux aller plus près de chez vous.
s'il vous plaît, n'oubliez pas de moi.
permettez-moi de ne pas tomber de vos mains
ne laissez pas moi de votre cœur
vous pouvez être est tout ce que je voulais maintenant, ma chérie.
Je vous attends pour venir me voir.
être toujours là pour vous

Olhando no espelho

Estaria triste, se não houvesse o amor
Em tudo o que existe, há também a dor
Lágrimas que chorei, sorrisos bobos brotaram
Às vezes eu perdoei, outras me perdoaram
Momentos que se foram, ou quem sabe ainda virão
Lembranças dos que partiram, e outros também partirão
Alguns sonhos desfazem, deixamos nos escapar
Muitos se realizam, estes são bons de sonhar

O sonho nunca é perdido, podemos remodelar
Este jamais é vencido, devemos sempre sonhar
Quem parte em sua jornada, um dia esses voltarão
Momentos têm sua chegada, e cumprem sua missão
Perdoarei o que me fez mal, serei pelos que me amaram
Sorrisos que já deixei, nas lágrimas que já calaram
Existe em tudo o que diz, no riso, choro e pavor
Estaria mais feliz, se apenas houvesse o amor

Quase sem querer

(Dado Villa-Lobos / Renato Russo / Renato Rocha)


Tenho andado distraído
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso
Só que agora é diferente
Estou tão tranqüilo
E tão contente...

Quantas chances desperdicei
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira

Mas não sou mais
Tão criança, oh! oh!
A ponto de saber tudo...

Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo
O mesmo que você...

Tão correto e tão bonito
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos
Sei que às vezes uso
Palavras repetidas
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto...

Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu quero
O mesmo que você...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O último trago

Um gole de cada vez...
No risco, no limite
Dormente insensatez
Sem trégua que arrisque
Ruborize esta palidez
Em turvas águas do mar
Persiste em querer navegar
Longe do brilho intenso
Iluminar-se apenas do luar
Estar só no oceano imenso
Alçar o voo mais alto que puder
Acima de qualquer dia nublado
Ser livre como assim se quer
Pousar demais pode ser arriscado

terça-feira, 5 de maio de 2009

Febre

Sinto o meu corpo arder
Sinto o meu corpo doer

Deve ferver tudo em mim
A febre me deixa assim

Nunca vou ficar melhor
Estou ficando até pior

Sinto falta de alguém
A quem quero muito bem

Que me faz sentir calor
Faz ferver e sentir dor

O corpo fica arrepiado
Sente a falta dos seus braços

Aplacar a minha febre ardente
Fazer-me adormecer contente

Em meus abraços se faz caber
Aumenta a sede de querer

Estou me sentindo febril
Sem o seu olhar gentil

Ardente, invade o meu ser
Coloca-me um passo de ferver
Revela-me frágil, sem querer
Pequena, onde está você?

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pode entrar

Bem vindo ao meu mundo
Meu mundo de fantasia,
Meu mundo irreal
Meu mundo de poesia,
Meu mundo ideal
Meu mundo sem dor
De quem é um fingidor
Tenho um mundo de amor
Tenho um mundo sonhador
De quem sonha acordado,
Sem temer, ou abalado
De verdade e de mentira
Prosa, verso e alegria
De largo sorriso
Duvidoso e impreciso
De caneta e pena à mão
Sem botar os pés ao chão
Em tinta à óleo desenhado
Meu surreal auto-retrato
Romanceado, ironizado
Jocoso, até desnaturado
Emoldurado em meias palavras
Imprecisas, olhadas e contadas
Verdades inteiras, omissas, coladas
Tenho outros mundos, mas nem tão legais
Eles são doloridos, são mundos fatais
Trago-te aqui, onde gosto bem mais
Sem tempo, sem pressa ou dores reais.
Pode chegar, conheça meu mundo
Muitas vezes raso às vezes profundo
Mas sempre intenso a cada segundo
Bem vindo ao meu mundo!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Vozes que não ouço mais

Estive ouvindo vozes demais.
Agora vejo, não ouço mais.
Foi um tempo que não volta atrás.
Sigo adiante, o destino se faz.
Faz-se sereno, calmo e tranquilo.
Como canção de ninar, apenas sibilo...

De sorriso largo, de alma no cio
Sem pressa e constante, suave ao frio.
Ao frio que congela a mais pura alma
E nem todo calor do mundo aquece ou acalma
Nem neve ou gelo, nem sol nem calor,
é cantiga de roda falando de amor.

Passou, já foi! Agora, nem sei mais.
O que era não é, o que fez se desfaz.
Foi belo, foi feio agora nem vejo.
De olhos fechados é apenas desejo.

Rimei, cantei, suspirei, sussurrei
Lidei, voei, viajei e batalhei.
Também sofri, e muito sorri.
E contra o tempo implacável, eu vivi!

terça-feira, 28 de abril de 2009

Suave Tormenta

Loucos como todos os outros eu serei, se não fugir
Longe de tudo e de todos os que querem subir
Ficarei atordoado, serei então bem mais que perdoado
Nas noites tão quentes que tenho algum cobertor.
Aquecer-me mais que quente, fervendo de amor.
Deito-me ao luar vermelho, que adormece ao alvorecer.
Lentes e espelhos cobertos evitando os trovões
Iluminam e explodem o escuro teto com seus clarões.
Então deixa pra lá... Vou sair na chuva e me molhar
Quero a água que molha o chão. Quero sentir a explosão
O cheiro da terra molhada, que de longe me arrepia
Canção suave e compassada, como uma doce sinfonia
Ileso e são eu voltarei, meu bem. Não fique preocupada
Volto pra casa mais leve, adormecer a minha amada.

Flores de Nanquim

Cores frias me distraem
Noites quentes me atraem
Olhos negros sobressaem
Novos rumos me retraem
Nessas ondas douradas
Cachos lisos de fadas
Contos velhos de amadas
Beijos de namoradas

Longos dias passam assim
Ansiosos, longos, sem fim
Impreciso e escuro nanquim
Ardendo aqui dentro de mim
Desenhos de flores
Rabiscos de amores
Novos, antigos e sem cores
Coloridos e cheios de amores

Assim, vejo-te novamente
Deixe-me a ver tão contente
Sei que terás que partir
Ao menos amei ao sorrir
Aproxime seus lábios dos meus
Termine num beijo de adeus

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Deixando partir

Vasos quebrados e flores ao chão
Lentes despedaçadas e cortes na mão
Corações partidos e sem direção
Amores deixados e perdidos em vão

Deixo-te procurar à vontade
Fique esperando a felicidade
Sinta suave a presença da bondade
Mesquinha e egoísta como a verdade

Que dita sem rodeios machuca
Nua e tão crua que a odeia
Razão pela qual a perturba
Razão da verdade que anseia

Resista até entregar assim
Mas a leve longe de mim
Suma daqui vá embora
Deixe a mentira lá fora

Volte sozinha, despida
Sem pudor, sem rancor
Volte e traga-me a vida
Devolva-me o meu calor

Recuso-me a ter um segundo
que não chegue a ser tão profundo
Nem mais ou menos rotundo
O melhor que há desse mundo

domingo, 26 de abril de 2009

Paraíso sem rosas

Nem sei por onde andava
Ou se ainda imaginava
O que há pouco me contara
Ou se apenas eu sonhara

Sonhei estar no paraíso
Onde apenas é preciso
Ser feliz junto contigo
E passar a eternidade
Sem julgar a humanidade
E nem perder esta vontade
De estar bem junto do meu bem

E só deixar a realidade
Tomar conta do meu ser
E ganhar do seu abraço
Todo carinho e enlaço
Que eu desejo de você

Não é loucura de querer
Mas é tortura não se ter
É torturante estar tão perto
Ao mesmo longe e tão deserto
Só de pensar estar ao lado
E não tocar, nem ser amado

Fazer amor imaginário
Trágico estar tão solitário
A ponto de deixar tudo ter fim
Sem qualquer rosa ou jasmim
E agonizante, louco assim
matar você dentro de mim.

Melhor voltar ao meu sorriso
No aconchegante paraíso
Tudo perfeito em detalhe
Cada delícia e entalhe
Criei perfeito pra caber
Somente a mim, e a você.

Algo ruim? Mesmo?

E para quem se pergunta se pode ser assim:
Menos flores, menos cores e sentidos,
Facas afiadas e martelos no chão.
Veias estufadas e pão bolorento.
Peito inflado e garrucha na mão.
Remos quebrados e velas rasgadas.
Torpe embrulho e bucho vazio.
Venta branca e olheira profunda.

Então careço de contar um causo:
...
Tava tostado no calor desse solão,
Avisto um riacho ralo
Palo seco de coité na mão
Riacho fino, quase findo
Que nunca vi nesse sertão
Corro de vontade, aperriado
Mas depressa e ligeiro
Que bezerro desmamado
Aprochego bem pertinho
E entristeço rapidinho
Paro e dobro com o rajar de vento
Vejo desolado esse momento
O que era de matar a sede
E findar meu sofrimento
Foi-se embora agorinha
Na mijada dum cão sarnento
...

Então, naquele belo dia em você sai descalço, sem querer pisa em um chiclete cuspido ao chão... –Putz! – você diria... Mas pense direito: -Ainda bem que foi um chiclete...

Pois é... Nada está tão ruim que não possa piorar...

E tenho dito!

sábado, 25 de abril de 2009

Contrato social

Pacto de amizade, código de ética, clima da boa vizinhança ou chame como quiser...
Refiro-me ao tal bom senso, ou ao “Contrato Social” que assumimos. Involuntariamente, conscientemente, formal ou informalmente, e até convenientemente.
O que seria do mundo se não houvesse a diplomacia?
Não estou falando de perdoar todo o mal que nos fazem. Longe disso.
Todos devem responder por seus atos. Todos que usam da bondade para tomar alguma vantagem, os que se aproveitam do próximo, e até dos nem tão próximos.
Quem faz o mal, quem tem o dolo, deve por ele responder, e até pagar. É o que dizem os códigos de nossa sociedade, não? Pois bem, é disso a que me refiro, dos códigos, das leis, da moral e dos bons costumes.
E o que é o bom costume? Os costumes das gerações mudam. O que era um “tabu” ontem, não mais o é hoje. E tampouco será amanhã, e os nossos “Contratos Sociais”?
Serão engavetados, expurgados, rasgados? As gerações futuras terão uma visão do que um dia já foram a moral, o amoral, os bons e maus costumes?
Esta é uma boa pergunta. E dá uma ótima discussão...

E tenho dito!

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Saudade?

(by Renata Freire)


"Ah, Saudade!
Como explicá-la?
Como dizê-la?
Como expressá-la?
Piedade!
O meu coração nada sabe, além de senti-la.
Os momentos que se foram: os risos, os prantos, os amores e dessabores, os amigos que ficaram e os que partiram?
Não.
Estou perdida no labirinto ao qual me conduziu.
Meus pensamentos, sentidos e olhar... distantes...
Procurando alcançar algo que desconhece...
Nem sei...
Apenas sinto o gozo que terei ao chegar lá...
Sedenta...
Sei que todo meu corpo, toda minh'alma resplandecerá ao encontrar...
Meu rosto reluzirá...
Meus lábios sorrirão e cantarão jubilosamente...
Ah, felicidade infinda!
Entretanto guerreada... dia-a-dia...
Sei que esta será sua paga.
O que me importa?
Nem sequer sei se estou perto...
Neste caminho não há cronômetro, placas...
Somente o coração conduz... ao seu compasso...
Como posso eu - mera aprendiz da vida, neófita no amor e
Nas lições dos dias - sentir saudades do que não conheço,
Do que nunca vi,
Do que nunca tive,
Do que nunca toquei?
Mas desejo... ardentemente...
Como suspira um pássaro no deserto
Pelas fontes das águas...
Velo...
Anseio...
Pelo o quê?
Dize-me, tu, se o sabes!
Desconheço...
Aaaahhh, mas posso sentir...
Posso amar...
É o que me faz esperar...
É o que me faz prosseguir!"

Vitória/ES, 23 de abril de 2009. Às 16h59min.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dinheiro do Santo

(Recebi por e-mail e achei muito interessante!)

Nosso sertão tem histórias
Que até o diabo duvida
De desventuras, de glórias,
De coisas da outra vida.
Essa que eu vou contar
Aconteceu num lugar
Pequenino,pobre e feio
Porém de gente decente
De cabra honesto e valente
Era Riacho do Meio.

Naquele tempo o distrito
Tinha uma igreja pequena
Para se cantar bendito
No mês que tinha novena
O povo todo acorria
Quando a igreja abria
E alguém o terço puxava
Outro levava um dinheiro
Para o santo milagreiro
E aos seus pés depositava.

Um frade tinha doado
À capela do distrito
Um santo muito afamado
Por nome São Benedito
O santo era poderoso
E logo ficou famoso
Porque mostrou muita raça
Quem rezava e lhe pedia
Nem bem da igreja saia
Jà tinha alcançado a graça.

Todo tipo de promessa
O povo vinha fazer
O santo mais que depressa
Não tardava em atender
Pedido de todo jeito
Pra se livrar de defeito,
Pro ano ser bom de inverno
Moça velha se casar
Ladrão deixar de roubar
E se livrar do inferno.

O santo logo ganhou
O titulo de padroeiro
O padre a missa rezou
Para o santo milagreiro
E o povo na capela
Reza, acendia vela
Depois cantava um bendito
Para o santo padroeiro
E não faltava dinheiro
Nos pés de São Benedito.

No ano quarenta e três
Teve uma seca infeliz
Choveu um quarto de mês
Dos sertões aos cariris
E Antonio Cabugé
Que inda hoje vivo è.
Sem ver mais nuvens no céu
E a lavoura perdida
Resolveu fazer partida
De Barra de São Miguel.

E foi procurar trabalho
Logo em Riacho do Meio
Arrumou um quebra-galho
Para fazer um esteio
E foi por ali ficando
Sempre,sempre trabalhando
Todo serviço enfrentava
Lutava a semana inteira
Quando era dia de feira
Umas cachaças tomava.

Antonio era um rapaz
Que lhes dizer eu preciso
Não era doido demais,
Nem tinha muito juízo
Mais era trabalhador
Honesto e respeitador
Todos lhe queriam bem
Era bem visto na rua
Tomava a cachaça sua
Sem fazer mal a ninguém.

Quem parte do cariri;
Um lugar que chove pouco
E vem parar por aqui
Só pode ser mesmo louco.
Pois se là è ruim que dobra
Aqui é pior e sobra
Padece da mesma falha
Pra quem vem de São Miguel
È sair do fogareu,
Pra entrar numa fornalha.

Antonio è feito dum talho
Que hoje não se usa mais
Não tem medo de trabalho
Mandou, pagou, ele faz
Sua palavra é um tiro
Até o ultimo suspiro
Sustenta a palavra dada
Mesmo ninguém nunca viu
De norte a sul do Brasil
Antonio com enrolada.

Antonio um dia tomou
Umas bicadas a mais
Porque ele misturou
Cana com vinho São Brás
Não era de embriagar-se
Mas sem que ele notasse
Perdeu o rumo dos astros
E fico na ocasião
Como se diz no sertão:
Fazendo dum pé, dois rastros.

Antonio então resolveu
Que queria outra bicada
Porem logo percebeu
Que no bolso, tinha nada
Ficou meio encabulado
Porque já tinha alisado
E não tinha uma ruela
Saiu andando sem norte
E por azar ou por sorte
Se viu dentro da capela.

Quando Antonio olhou de lado
Viu a imagem do santo
E ficou admirado
Quando também viu o tanto
De dinheiro velho e novo
Que era oferta do povo
Para o santo poderoso
Nisso Antonio levantou-se
Da imagem aproximou-se
E disse em tom respeitoso:

Boa tarde cidadão
Sô Antôio Cabugè
Moro perto do grotão
Trabaio pra João Coité
Recebo toda sumana
Quero tumar uma cana
Mas tô mei disprivinido
Percibi sua bondade
E tomei a liberdade
Di li fazer um pidido:

Da pru sinhô me arrumar
Do muito cobre que tem
Cinco minrés preu tumar
Uma ali no armazem?
Podi imprestar sem sobrosso
Que sabu despois do armoço
Assim que eu receber
O meu pequeno ordenado
Podi ficar sossegado
Que eu vem aqui lhe trazer.

Comigo não tem perigo
Do sinhô num receber
Pode escrever o que eu digo
Depois espere pra ver
Se eu tenho palavra ou não
Pois daqui pru Riachão
Meu nome é limpo na praça
E se o sinhô mim emprestar
Garanto de li pagar
Di sabu que vem num passa.

São Benedito ficou
Calado e indiferente
Ele consigo pensou:
Quem cala è por que consente.
Fico na ponta dos pés
Pegou os cinco minrés
Despediu-se gentilmente
Com o dinheiro emprestado
Entro no bar de Conrado
Tomou mais uma aguardente.

Tinha um guarda na capela
Rezando na sacristia
Escutou toda novela
Que Antonio ao santo dizia
E resolveu esperar
Se ele vinha pagar
Como tinha prometido
E depois achou por bem
Não contar nada a ninguém
Sobre o que tinha ocorrido.

Antonio voltou pra roça
Trabalhou feito um jumento
Sempre a noite na palhoça
Lembrava do juramento
E consigo ia pensando:
Eita, tá quage chegando
O dia do ordenado
Compru um sandaio prus pés
E levo os cinco minrés
Daquele homi educado.

Quando enfim chegou o dia
Que Antonio tinha marcado
Pegou a justa quantia
E partiu meio apressado
Quando foi na rua entrando
De longe foi avistando
Meio sem acreditar
Pois sim! era Cazuzinha
Seu irmão menor que vinha
Da Barra lhe visitar.

Se entreteram meia hora
Num constante blablablà
Antonio lhe disse: Agora
Fique aqui que eu volto jà
Vou acertar um negoço
Pois me esquecer eu não posso
E hoje é o dia certo
Depois da conta acertada
Nòs toma uma bicada
Ali no bar de Adaberto.

Quando ele ia saindo
O guarda se aproximou
Onde o senhor está indo?
Zangado lhe perguntou.
Deixe dessa veiaquisse
Não foi o senhor que disse
Que hoje pagava o santo
Pois pegue os cinco minrés
E va botar nos seus pés
Você sabe onde è o canto.

Quando Antonio aquilo ouviu
Ficou dispranaviado
Pra igreja se dirigiu
Sem responder ao soldado
A porta tava encostada
Deu lhe logo uma pesada
Foi tabua pra todo lado
Sem que ninguém lhe impedisse
Pegou o dinheiro e disse:
Toma ai cabra safado.

Por certo você pensava
Que eu não vinha lhe pagar
Me diga se precisava
Você o guarda mandar
Cobrar essa minxaria
Saiba que essa quantia
Para mim não vale nada
Comigo você foi raso
Eu inda tava no prazo
Você que fez paiaçada.

Ao ouvir o lambassé
O sacristão perguntou
O que è isso Cabugé,
Por que a porta quebrou?
Antonio lhe disse: nada!
Eu e esse camarada
Tamu acertando uns pendido
Fique fora da manobra
Se não o cacete sobra
Tambem pru seu pé do ruvido.

E partiu feito um leão
Pra cima de Benedito
Lhe agarrou o sacristão
Uma velha deu um grito
Juntou gente pra danado
O cacete foi pesado
Nâo ficou um banco em pé
Por mais gente que juntasse
Não tinha quem sigurasse
A fùria de Cabugé.

Quem chetava pra apartar
Um bufete recebia
Com raiva, pra se vingar
Com pancada respondia
E a briga ia aumentando
E sempre gente chegando
Homem, mulher e menino
Quebraram com uma vassoura
A caixa da difusoura
E toraram a corda do sino.

No meio da confusão
Quebraram a chapa de Noca
Acertaram um bufetão
Na filha de Zé de Doca
Depois rasgaram o vestido
De Zefa de zé cumprido
Inda hoje ela tem màgoa
Ligeira como um foguete
Pra se livrar do cacete
Saiu correndo de anagua.

E nisso banco voava
E na parede batia
Um deles quase acertava
Nossa Senhora da Guia
No meio da bagaceira
Um pedaço de cadeira
Acharam por bem jogà-lo
Mesmo em São Jorge, patrão
Que ficou sò o dragão
E um taco do cavalo.

Quebrou-se o confessionàrio
De um coice que Antonio deu
O pobre São Januàrio
De um golpe que recebeu
Começou a balançar
Não tendo onde se apoiar
Espatifou-se no chão
Jogaram um pau em Abreu
Tricou São Judas Tadeu
Quebrou São Sebastião.

Tinha uma imagem indefesa
De São José e Jesus
Jogaram um taco de mesa
Acertou logo na luz
Depois atingiu o santo
Foi caco pra todo canto
O fuzuê foi bonito
A santaiada quebrada
Sò quem não levou pancada
Foi mesmo São Benedito.

A bagunça se desfez
Quando a policia chegou
Todo mundo pro xadrez!
O delegado grisou.
Algemaram todo mundo
Somente José Raimundo
Filho de Nhô Nicolau
Invés de ir pra cadeia
Passou foi semana e meia
Na cama do Hospital.


Liberaram cabugé
Depois de alguns contatos
Porque nenhum um doido é
Responsàvel por seus atos
Liberaram todo mundo
Depois tambem Zé Raimundo
Teve alta do hospital
Riacho do Meio aos poucos
Apesar dos muitos loucos
Ia voltando ao normal.

Indireitaram a capela
Madaram imendar os santos
Bendito louvado seja!
Dizia o povo entre prantos
Sempre entoando bendito
Louvando São Benetito
Que do furdunço escapou
Jà tem outra imagem até
De Jesus e São José
No lugar da que quebrou.

O vigàrio novamente
Fez a inauguração
E disse:daqui pra frente
A pra prestar atenção
Quando quiserem brigar
Procurem outro lugar
Pra fazer esse serviço.
Vão bagunçar noutros cantos
Que aqui sobrou foi pros santos
Que não têm nada com isso.

Antonio voltou pra lida
Tocou a vida pra frente
Manerou com a bebida
Mas inda toma aguardente
Continua sem preguiça
Vez enquando vai à missa
Reza pra Santo Expedito,
São José do Ribamar
Mas, não quer nem escutar
O nome São Benedito.

Bràs Ivan,

Suiça, maio de 2007.

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Vista da ponte, de longe os montes...

" A ponte que me leva além dessa vida
Me concede um pouco de gentileza
Perdoa-me as falhas, dá-me a mão amiga
afaga-me e mostra-me toda a beleza
Jogo-me do alto, caindo em doce leveza
por mais que seja de fato antiga
Tão nova e sensata a mãe natureza

Os rios que deságuam além do olhar
mais longe que o longe que pode alcançar
Sem pressa, sem trégua e sem descansar
Porém mais depressa que se pode esperar

Quem nunca viu o dia amanhecer?
Quem vê todos os dias não pode esquecer.
Quem passa a noite em claro, e quem pode saber
Quem vê todas as noites, o dia escurecer.

Levado, obrigado, seja lá o que for
Noite adentro sem medo, sem pressa
E mordido de amor "


Fiz estes versos com o olhar de quem está de fora, mas para quem está buscando encontrar algo para agarrar-se, para segurar enquanto a correnteza o força a decidir.
Pois bem, o fiz para alguém. Fato. Que numa longa conversa mostrou indecisão, e pude confirmar que nem sempre são fáceis as decisões. Não são mesmo, nem para mim, nem para alguém, e nem para ninguém. As decisões foram feitas para serem tomadas, mas nem sempre serão fáceis, nem sempre serão difíceis, mas uma coisa é certa: Colocará um rumo em sua jornada. Tudo poderá mudar, tudo poderá deixar de estar. Ou melhor ainda, tudo deverá mudar.
Não sou, nem pretendo ser o dono da verdade, mas vivemos para isso... Aprender!
Se chegou a hora de tomar uma decisão, pense claramente. Pois é o sinal de que algo deve mudar.

E tenho dito!

O cabra da peste

A boca seca como o sertão
A mente feito um furacão
No peito forte como um tufão
Olhar com chamas de um vulcão

Remando contra toda a maré
Em solo ardente andando a pé
Encontrar a força de toda a fé
Que tudo seja como quiser

Sem salto, sem força, sem brilho
Com garra, com dor e desatino
Corpo cansado, corpo ferido
E coração de um menino

Encontrar abrigo aonde não tinha
Deitar-se ao colo de menina
Sorriso aberto enquanto caminha
Trazendo o olhar que ainda não tinha

Descalço, em farrapos, agoniza
A febre o impede de sentir a brisa
Moringa seca. Desveste a camisa
Longe da água que muito precisa

Sem esmorecer, com afinco caminha
O sol que a pino sem dó desafia
Jamais desistir ou deixar de lutar.
O cabra é valente e pra sempre será.

Passa o que passará

As horas que anunciam o alvorecer se aproximam
Deixando passar tudo o que acabara de acontecer
Tudo o que ficara para trás. E agora?
Agora, só na lembrança ficarão esses momentos
Agora, só no intimo ficarão os pensamentos
Vagos, soturnos. Derradeiros e noturnos
Memórias vão e vem... Os momentos, também
As pessoas vêm, e vão. Por vezes ficam por vezes não.
Tudo passa. O que não passou, passará.
As feridas saram. Se ainda sangra, curará.
Do que tem pressa o milagre esperará
Todo o tempo do mundo que ainda virá