terça-feira, 30 de junho de 2009

Envolvimento

Envolto em fumaça...
Da vida que passa
Da alma que embaça
Da calma que deixa
Da mente desleixa
Envolto em razão
Do que foi vivido
Do que foi temido
Do que foi em vão

Envolto em ternura
E sem amargura
Por vozes de agrura
Em minha aventura

Envolto em loucura
A calma me diz
Que sou aprendiz
Da vida feliz
Assim me tornando
Vamos transformando
Em cada momento
Este sentimento
Envolto em amor...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Não quero mais!

Não quero mais...
Os dias tão frios
Antes anoiteça

Não quero mais...
Lugares vazios
Os pés na cabeça

Não quero mais...
Procurar o pedaço
Que falta de mim

Não quero mais...
Vagar no espaço
Sem tempo ou fim

Não quero mais...
Deixar-te partir
Sair de meus braços

Não quero mais...
Deixar de sentir
Seu corpo, seus lábios

Não quero mais...
Não ver o seu rosto
Olhar penetrante

Não quero mais...
Não ter o seu gosto
Em mim neste instante

Não... Não quero mais!

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Ainda

Ainda posso sentir
Sua pele...
Ainda posso sentir
Seu cheiro...
Ainda posso sentir
Seu toque...
Ainda posso sentir
Seus beijos...

Ainda estou aqui,
Viajando...
Ainda estou aqui,
Divagando...
Ainda estou aqui,
Sonhando...
Ainda estou aqui,
Lembrando...
Ainda estou aqui...
E continuo te amando

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Ao despertar

Vejo o mundo girar...
Inalcançável lua que brilha,
Assisto meu corpo no mar.
Estrela cadente que me guia.

Vejo a terra do ar...
Espelho d’água que ilumina,
De onde não se pode voar.
Velejo em ondas de alegria.

Vejo a lua brilhar...
Entorpecido em minha fantasia,
Ouvindo o doce cantar.
Então sintonizo nossa melodia.

Vejo o dia clarear...
Ao gosto do sonho que finda.
Se ao menos pudesse acabar...
O sol despertou mais um dia.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Permanentemente

Permanece em minha mente
Algo como nem se sente
Agito derrepente
Algo mais coerente
E da vida recorrente
Sou apenas indigente
E me deixo em sua frente
Mais que abundantemente
Ainda tenho este presente
De memória tão latente
Que atiça fogo ardente
Fazendo-me mais quente
E tão inocentemente
Fez assim tão inerente
Pois indubitavelmente
Fez-me muito mais contente

Para falar ao espelho

Vindo de onde vier, esteja onde estiver
Mas venha de um lugar qualquer
E deixe ser o que se quer
Veja tudo o que bem puder
Mas seja quem você quiser

E sendo assim pode ser
Fazendo o que quiser fazer
Não deixe o peito doer
E a alma empobrecer

E agora:
Realize tudo o que puder
E ame sem medo de errar
E faça muito que quiser
Deseje o que desejar


E tenho dito!

sábado, 20 de junho de 2009

Assim por você...

Sou o mero devaneio de um louco em desatino
Sou a pauta de uma breve canção em tom menor
Sou assim como um brinquedo de um menino
Sou assim sonhando com você...

Como as águas que se perdem na queda
Como o ar que não pode ser inspirado
Como a nuvem que o vento apenas leva
Sou assim quando estou sem você...

Como a seca que precisa da chuva molhar
Como a sede que precisa da água embebedar
Como flor que aguarda a primavera chegar
Sou assim esperando você...

Como os pássaros podem bem alto voar
Como só pode o rouxinol maviosamente cantar
Como a força das ondas que festejam no mar
Sou assim quando estou com você...

Assim eu fico e me sinto meio louco
Assim eu sinto que todo o tempo é pouco
Assim me deixo em seus olhos levar
Assim é meus abraços em seus braços estar

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Nunca esqueço...

Ao mais fino véu
Adornado pelo céu
Versejado no papel
Desejado e puro mel

Agora como nunca dantes
Corações tão distantes
Pretendidos mais que antes
Olhos negros tão brilhantes

Toda pele tão macia
Tão voraz que arrepia
Vejo em pelo toda minha
Me invade, me alucina

No espelho ainda vejo
Infinito o desejo
Tudo de maior no mundo
Lembro então cada segundo

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Ida... sem volta

Por um segundo, inerte permaneço
E giro, e giro voltas sem fim
Tudo passa do fim ao começo
Não há volta, sem o não nem o sim

Há pedaços, há cacos e sobras
Existira o alguém que iria
Entrelinhas lagartos e cobras
Enfim, ninguém chegaria

Não há mais
Nem terços nem rezas
Ficara ao caminho
Havia paz
Mas choros e velas
Findara o destino

Se esperado
Ao menos despediriam
Se velado
Ainda assim chorariam

Ao repente que leva sem piedade
Sem adeus a quem em tenra idade
Não volta mais uma vez
Desde agosto de setenta e seis
Não há mais tempo que se move
Depois de junho de dois mil e nove.


À N.J.C. (in memorian)

Contos dissonantes

Há acima dos olhos
Em baixo relevo
Escritas e desenhadas
Palavras e sonhos
Silencio e desejo
Há bruxas e fadas
Em todos os cantos
Cortes de facas
Terror e espanto
Há lugares amenos
De lados pequenos
Há medo e anseio
Aonde pode chegar

Há pedras e espinhos
Do lado de lá
Há verdade em si
Há dias sem sol
Há noites sem dó
Em notas menores
Acordes distantes
Bem mais dissonantes
Mas em meu abrigo
Serei sustenido
Por dias melhores
Que hei de esperar

sábado, 13 de junho de 2009

De dia aos namorados

Ao que pode ser bem mais que um dia
Juntos mais que um nó tem mais calor
Pode mais durar que uma vida
Chama que incendeia o amor
Incansável, resistente
Inflamado, incandescente
Imaculado, inocente
Inviolável, permanente
Pode assim se revelar
Vem de onde nem se espera
De amizade, se rolar
Pele, boca, um olhar
Deveria incendiar
Pode até se disfarçar
Mas jamais se calará

terça-feira, 9 de junho de 2009

Bonança

Logo que a chuva passar,
Vou poder voltar
E mesmo que o dia findar,
Não vou desistir

Sementes brotaram,
Jamais vão murchar
Viraram botões,
E irão se abrir

Quando o céu estiver limpo
Veremos os anjos cantar
Quando a lua brilhar lá em cima
Seremos encantos ao ar
Quando a noite atingir o seu ápice
Poderemos então, enfim nos amar.

E tudo será tão calmo
Orvalhos gotejarão
Uma canção de ninar
Os corpos se juntarão
Em vozes tão suaves
Que fazem o frio cessar
Bocas quentes e molhadas
Tirando aquele batom

Aquele batom

Lembra de como era bom
Pense nos anos dourados
As bocas tiravam batom
Os corpos ficavam suados
Nos seios daquele verão
Mais livres e arrepiados

Formávamos dois em um só
Tudo era muito melhor
Em busca do amor maior
Beleza infinita
Pureza distinta
Embriagados de puro querer
Queríamos mais do ter
Chegava ao amanhecer
Tudo era bom a valer

Até o amor se perder
O frio inverno chegar
A noite não amanhecer
Sem horas para contar
Cinza os anos passam agora
E tudo deixou de existir
Assim que chegou ao final
Lembrando os tempos de outrora
Não há batom de cor surreal...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Bem sério

Eu falo sério quando digo o que sinto

Não mudo meu modo também

Não calo ou deixo voltar. Eu não minto

Para sempre me deixo além

Nos meus sonhos há o que vejo

Existe muito além do desejo

Havia um dia que seria assim,

Uma vida que seria pra mim

Bem mais que o que posso ver

Tornando o maior bem de viver

Dias de Trégua

Por onde andavas esse tempo que apaguei?
Em cada canto que deveras me apeguei
Todavia se entregara em pedaços e errante
Laços mal feitos e desfeitos neste peito latejante
Bordas de rendas mal tecidas e bordadas de barbante
Camas e mesas nas banheiras de um tolo navegante
Lagos estreitos pelos mares que passei.
Talvez corresse muito mais que naveguei
Andava...
Corria...
Sonhava...
Temia...
Parava...
Queria...
Surrava...
Sorria...
Buscando nessa imensidão azul
Ao mar entrava esperando encontrar
O que seria, que mais pudesse completar
Nem tão ao norte, tampouco longe ao sul

Pontes e baías, montes e vales não se cabem
Lutas, guerrilhas, noites e sombras que entravem
Dias de gloria clarearam, uns de miséria vaguearam
Rostos ao longe avistaram findados anos que passaram

Sem brilho, sem luz e sem um final feliz
Passou-se a vida bem diante do nariz
Mas tudo muda...
O sol que sempre vai brilhar
Fará de novo um novo dia clarear.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Ouvinte

(Rio de Janeiro, setembro de 2003)



Se soubesse melhor dizer o que sinto

Diria muito e muito mais

Pois sabes, meu bem que não minto

Apenas eu penso demais

Penso em aprender a falar

E vivo tentando aprender

Sempre que eu tento mudar

Eu desisto. É o meu jeito de ser

Eu queria fugir do resto do mundo

Queria eu... Se um dia pudesse voar

Voaria ao penhasco mais profundo

E depois subiria mais leve que o ar

Buscaria todas as palavras que existem

Em todas as línguas que engasgo

Pois mais entendo o que me dizem

E ouço melhor do que falo.



segunda-feira, 1 de junho de 2009

Silêncio e vertigem

E deixo a boca falar o que não devia
O coração vai parar com essa agonia
E quando a vida mudar da água fria
Vou tentar me lembrar
O rosto vai petrificar
A alma muda vai falar
E sempre irei me tomar por essa alegria

Me deixe, ao acaso encontrar
Me pego nas ondas do mar
Fumaça e vento a tragar
Tomando a mim apenas por essa alegria

Vertigem sem rumo nem nexo
Só beijo. Sem papo nem sexo
Vivendo um caso complexo
E sempre irei me tomar por essa alegria

E... Quando esta noite tentar me deitar
Num quarto sem velas sem cores nem ar
Meus olhos veem apenas... Aquela alegria.

(escrita aos dias idos de 1999)