quarta-feira, 28 de outubro de 2009

À porta















Ao fulgurante acaso que te tomas de mim;
Soberbo mau caso que ataras sem fim.
Em partes que foram-se e deixaram o véu,
Tomadas de fúria e rancor afastaram do céu.

Roubados vestígios do que se deixou;
Nas sombras tormentas que apenas ficou.
Aos vasos sem flores que não se quebraram.
Desconcertos de amores que aqui já passaram.

Remotos controles do que foi querer,
Ao mero desejo se houvera o prazer.
Borbulhantes olhos tão cheios de cor
Agora encontra o verdadeiro amor.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Alguma (In)certeza










Talvez apenas seja assim
Observe-me sem tocar
Talvez toque em mim
E deixe-me aqui ficar

Palavras não me pertencem
Deixe-me calado, talvez
Sorrisos não me convencem
Ainda não foi desta vez

Talvez ligar-te enfim.
Silêncios não são demais.
Sem ruas, talvez sem fim.
Os uivos dos animais.

Paralelamente, talvez
Inconfundivelmente
Apenas minha timidez
Segue insistentemente

sábado, 17 de outubro de 2009

Sobre um outro sentido.










Só porque os ventos mudaram?
E mudaram as estações;
E os planos, as ondas, o foco;
Os brutos não acostumaram...

Pormenores de erudição;
Tão loucos. Tão fortes assim;
Calando o vento possante,
Mas firme em sua direção.

Rabiscam as flores no outono.
E cantando qualquer canção,
Versejar sonetos e contos,
Desmentem o próprio abandono.

Nem tanto assim mudaria;
Senão fora a mesma da fé.
Subir as montanhas do chão
Ao voo que lhe alcançaria.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

A noite e o sono










Ruídos e buzinas soavam
Luzes acendiam e piscavam
O choro inocente e constante
Tudo estava junto neste instante

Como esta noite fora, tão pálida
Passos sem rumo, e sede ávida
Sem luar, sem dança nem par
Tão cheia de nada no olhar.

Nos braços, agora vazios
Em nosso lugar há navios
Que fico perdido ao ver
Por hora estou. Sem querer

Então me deixo outra madrugada
Aqui continuo... Ligado em nada
Por mais um gole que a ti me tome
À mercê da falta que me faz insone.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ao que me calo

Calado,
Me vejo...
ainda assim, te desejo
Calado,
Anseio...
de toda a vontade do beijo
Calado,
espero...
à paciência de um monge
Calado,
eu quero...
ainda que estejas tão longe


Calado,
como quem já fora falante
quieto,
como era em outro instante
tão mudo,
como ouvira um outro segundo
e surdo,
abstendo-me outrora do mundo

Calado,
esperaria o mundo passar,
deixaria o inverno gelar,
e traria a lua pra cá...
Falante ao ver-te chegar.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Meu mar










Mais ainda eu estaria
da nascente ao leito rio
me causara o arrepio
fora a doce calmaria

Que o céu me prometeu
será minha estrela guia
e me enche de alegria
já me sinto todo teu

E ruboriza-me...
troca-me as palavras
deixa-me sem falas
e me ama...

Como eu sempre quis
és o mar que naveguei
Sempre mais do que sonhei
Só você me faz feliz

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Agora sou mais











Pois hoje novamente
Nossa lua é crescente

Ilumina-me o sorriso
Colorindo o meu mundo
É o meu paraíso
Mais a cada segundo

Mais do que sempre quis
Fez-me apaixonar
E me faz tão feliz
Em seus braços estar