segunda-feira, 27 de abril de 2009

Deixando partir

Vasos quebrados e flores ao chão
Lentes despedaçadas e cortes na mão
Corações partidos e sem direção
Amores deixados e perdidos em vão

Deixo-te procurar à vontade
Fique esperando a felicidade
Sinta suave a presença da bondade
Mesquinha e egoísta como a verdade

Que dita sem rodeios machuca
Nua e tão crua que a odeia
Razão pela qual a perturba
Razão da verdade que anseia

Resista até entregar assim
Mas a leve longe de mim
Suma daqui vá embora
Deixe a mentira lá fora

Volte sozinha, despida
Sem pudor, sem rancor
Volte e traga-me a vida
Devolva-me o meu calor

Recuso-me a ter um segundo
que não chegue a ser tão profundo
Nem mais ou menos rotundo
O melhor que há desse mundo

2 comentários:

  1. Que forma poética de repudiar a mentira. rs Adorei!!!
    Beijos!

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  2. Nossaaaa!!!! Lindo, lindo lindo!!!

    Como contribuição (pra variar... rsrs):

    *Verdade*

    "A porta da verdade estava aberta,
    mas só deixava passar
    meia pessoa de cada vez.

    Assim não era possível atingir toda a verdade,
    porque a meia pessoa que entrava
    só trazia o perfil de meia verdade.
    E sua segunda metade
    voltava igualmente com meio perfil.
    E os meios perfis não coincidiam.

    Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
    Chegaram ao lugar luminoso
    onde a verdade esplendia seus fogos.
    Era dividida em metades
    diferentes uma da outra.

    Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
    Nenhuma das duas era totalmente bela.
    E carecia optar. Cada um optou conforme
    seu capricho, sua ilusão, sua miopia."

    (Carlos Drummond de Andrade)

    Bjooooossss... e até breve!

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