quinta-feira, 9 de abril de 2009

A Fera

Por querer sempre mais
E viver sempre mais
Sem temer e que faz
e nem voltar atrás
Pode ser sem perdão
Machucar um coração
e nem olhar a ferida
ou amar nessa vida.
Ser forte o bastante para perdoar
ter força de sobra e voltar a olhar
levantar a cabeça e voltar a andar
Gritar o bastante para o mundo escutar
Ser! Desse jeito
Com todos os defeitos
com todas as derrotas
com todas as vitórias
com todas as forças.
E nunca desistir
Ou deixar de sorrir
Nem deixar de sonhar.
Ser a fera ferida
Que desfere a mordida
e rebate a batida
Sem deixar abater.
Nem deixar de tentar!

3 comentários:

  1. Nossa! Muito bom!!! Parabéns, mais uma vez!

    Ameeii!!! ;)

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  2. "Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?
    Amar e esquecer,amar e malamar,amar, desamar, amar?
    Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

    Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar?
    Amar o que o mar traz à praia, e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
    é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

    Amar solenemente as palmas do deserto,
    o que é entrega ou adoração expectante,
    e amar o inóspito, o áspero, um vaso sem flor, um chão de ferro, e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

    Este o nosso destino: amor sem conta,
    distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
    doação ilimitada a uma completa ingratidão,
    e na concha vazia do amor a procura medrosa,
    paciente, de mais e mais amor.

    Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita."

    (Carlos Drummond de Andrade)

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  3. Que lindo!É a minha cara.
    Parabéns!

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